Um dos principais medos dos portadores de diabetes é serem vítimas
de pé diabético, tipo de lesão que quando não é
bem combatido pode levar à incapacitãncia e, em situação
ainda mais difícil, à amputação do membro. Entre os
cuidados que ajudam a prevenir e combater o problema está a higienização
eficiente. Nesse sentido, entra em ação o trabalho do podólogo
que, quando preparado para lidar com a situação, se torna um eficaz
aliado contra as temíveis lesões.
Pé Diabético Exige Cuidados Especiais Dificuldade de cicatrização
pode levar à necessidade de amputação - Odair de Oliveira
Os sintomas que caracterizam a - doença são insensibilidade (à
dor, ao calor), adormecimento e formigamento dos dedos. Um sapato apertado, por
exemplo, ou uma pisada em algo perfurante pode passar despercebido. No estágio
inicial, esses sinais surgem e desaparecem alternada mente. Mas com a evolução
da doença, tornam-se constantes. Esse cenário facilita o aparecimento
de lesões na região que, normalmente, só são percebidas
em estágio avançado.
O descuido pode levar à necessidade de amputação. Vale lembrar
que, só no Brasil, existem cerca de 7 milhões de diabéticos
e que cada portador apresenta 40 vezes mais chances de amputação do
que os não-diabéticos. Para o diabético, o surgi mento de lesões
no pé pode ser apenas uma questão de tempo. Não é à
toa que é uma das maiores preocupações desse grupo. São
fatores de incapacidade e o tratamento não é dos mais fáceis.
De acordo com a podóloga Joseane Maria de França, especialista em
pé diabético, é a insuficiência circulatória na
região que dificulta a cicatrização no tecido local. Segundo
ela, a podologia, quando- exercida por profissionais - qualificados, pode ser um
bom suporte para as pessoas que convivem com esse tipo de problema. “O trabalho
que faço com um portador de diabete é bem diferente daquele que faço
com os outros clientes.
Os cuidados são redobrados, pois não pode haver corte, não
se tira cutícula e não se pode trabalhar com material cortante. Também
não é permitido raspar ou lixar em excesso e em outros casos, não
se deve nem mesmo lixar, principalmente quando o pé está inchado,
frio ou quente”, explica Joseane, que fez especialização nos
Hospitais das Clínicas (HC) e Brigadeiro e trabalhou por dois anos com uma
equipe de cirurgia vascular no hospital Ipiranga, da rede estadual. O papel do podólogo
no tratamento do pé diabético é secundário. Isso não
significa dizer que não é importante. Ao contrário. A quem
tem diabetes, os especialistas recomendam atenção redobrada com a
região, o que inclui reforço nas medidas higiênicas. “A
podologia é importante na prevenção do problema e no suporte
daqueles que já apresentam as lesões. Orientamos a respeito do melhor
calçado para o dia-a-dia e sobre os cuidados para que não se machuque,
pois é sabido que uma simples lesão pode evoluir para a necessidade
de amputação do dedo ou mesmo de todo o pé”, ressalta
a podóloga.a a podóloga.
Higienização é Fundamental Só quem tem profundos
conhecimentos de pé diabético pode oferecer auxilio
Cuidar dos pés de um diabético não é para qualquer um.
Quem convive com o problema provavelmente já foi alertado pelo seu médico
dos riscos de se deixar cuidar por pessoas não-qualificadas e que pouco ou
nada entendem dos cuidados que se deve ter nessas situações. A falta
de circulação, que impede uma irrigação eficiente nas
extremidades dos pés, permite que um simples cor te evolua para uma necrose
(morte do tecido) ou gangrena (evolução da necrose). “A técnica
do podólogo e o conhecimento são bem mais amplos do que os de um manicure
ou pedicure. E preciso saber examinar um pé diabético, observando
se tem ou não fissura ou mico se, saber fazer o corte corre to da unha e
orientar a pro curar um especialista médico em alguns casos”, afirma
Joseane Maria de França, podóloga da Companhia da Saúde Center
Norte. Esses profissionais são peças importantes no auxílio
à medicina e à prevenção e combate de problemas relaciona
dos aos pés. Eles têm o conhecimento de anatomia, fisiologia, podopatias
e o do mínio de técnicas e instrumentos essenciais para lidar com.
O diabetes melito pode interferir no funcionamento de várias regiões
do corpo. Um dos problemas trazidos por essa doença é o pé
diabético, um tipo de neuropatia que traz sérios transtornos e graves
conseqüências para aqueles que portam esse quadro - esse tipo de paciente.
Na opinião da podóloga, durante uma análise de pé diabético,
podem ser encontradas alterações nos nervos (neuropatia), pontos de
pressão anormal, alterações nos vasos e alterações
de temperatura e cor do pé. “A cada sessão, busca-se limpar
e higienizar o local, faz- se o corte adequado das unhas e são dadas dicas
simples e importantes, como o que calçar e como calçar”, explica.
Segundo ela, o prazo de retomo de cada pessoa depende do quadro clínico de
cada um. Para alguns, é recomendado voltar à clínica a cada
três meses; para outros, esse tempo cai para apenas um mês. Ouso de
palmilhas especiais, aleita Joseane, só com indicação médica
e os sapatos devem ser adequados para o usuário.
Matéria publicada no jornal - MetrôNews-17 - Dezembro